Por tentar me proteger acabei perdendo a liberdade, estou preso pelos muros que construi para proteger meus sentimentos, meu coração. Por isso não consigo mais amar, não consigo me aprofundar em ralacionametos, as poucas relações que tenho são através das grades do meu coração onde só existem possibilidades para apertos de mão e algumas conversas rápidas.
Olhando pelas grades vejo tantas pessoas andando livremente, algumas acenam pra mim, outras até me convidam para sair, e ainda há aqueles que se aproximam e tentam abrir o portão para me ver em liberdade, mas eles se esforçam inutilmente, pois o único que pode abrir esse portão sou eu, mas não quero abrir de maneira alguma.
Estou seguro aqui, posso não amar e nem me entregar a alguém profundamente, mas em compensação não me magôo e nem magôo ninguém, o solidão de vez enquando aperta, mas ela logo passa e tudo volta ao “normal” o mais difícil aqui é olhar pra fora e ver tantos que passam felizes amando e sendo amados.
Já me perguntei tantas vezes se não estou exagerando, e no fundo eu bem sei que estou por isso lentamente estou saindo desse exílio sentimental, antes ficava mais tempo enclausurado, hoje já passo boa parte do tempo olhando pela grade para o lado de fora, e cada vez que vejo pessoas felizes me sinto mais encorajado a sair também.
Agora, e só agora começo a perceber que vale a pena correr riscos para ser verdadeiramente feliz, e afinal é impossível amar e ser feliz sem correr riscos, e assim me sinto a um passo da liberdade.
Edgar Rangel 1807/2010.
