quarta-feira, 14 de julho de 2010

Escravo Alforriado


 Faz dez anos que recebi a minha alforria, e bem no fim da tarde sentei em baixo de um Pé de manga para refletir sobre minha vida ali pude perceber algumas coisas intrigantes.

Percebi que mesmo tendo um documento em mãos que diz que eu não sou mais escravo eu ainda me comporto e me sinto como tal. Talvez seja o fato de ate hoje eu não ter conseguido sair dessa fazenda e gozar a plena liberdade, pois ainda faço o mesmo trabalho de antes, durmo na mesma senzala e sou tratado como escravo ainda.

Algumas vezes me revolto e decido que vou embora e largar tudo, mas ir embora para onde¿ afinal eu nasci e cresci aqui, a porta esta aberta, as correntes não me prendem mais, mas eu simplesmente não consigo sair, pois estou preso por correntes que são mais fortes que o aço ou qualquer outro metal, eu estou preso pelas correntes do medo e da incerteza.

Afinal o que vou encontrar longe daqui ¿, será que vou conseguir emprego, uma casa pra morar e o pão de cada dia para me alimentar¿ por essas e outras eu não consigo sair daqui, pois tenho medo de não sobreviver, mas vivo um dilema, pois não quero morrer aqui sem desfrutar da plena liberdade que recebi de graça.

Já tentei varias vezes sair, mas o medo sempre me traz de volta, não sei mais o que fazer, preciso urgentemente de ajuda, porem quando olho ao redor não vejo ninguém que seja capaz ou esteja disposto a me ajudar.

Mas não vou perder as esperanças, pois o mais difícil eu já conquistei a Liberdade o que me falta agora é aprender a desfrutar dela plena e intensamente.

Edgar Rangel 13/07/2010